4 de agosto de 2015
Atul Gawande How do we heal medicine legenda em Português
A medicina costumava ser simples, inefetiva e relativamente segura. Agora é complexa, efetiva e potencialmente perigosa.
3 de agosto de 2015
Erros na área da saúde: você teria coragem de contar um erro seu?
Como colocado por Chantler em 1999 , a medicina costumava ser simples, inefetiva e relativamente segura. Agora é complexa, efetiva e potencialmente perigosa.
Desde muito pequenos aprendemos que errar é feio e por isso devemos buscar sempre o acerto. Hoje existem vários estudos sobre as limitações humanas e quais são as situações e ambientes que podem aumentar a chance do ser humano errar.
Sem identificar a instituição ou as pessoas convido você a relatar uma situação em que você presenciou um erro que poderia ter sido evitado.
Neste anos atuando na área da saúde com certeza cometi vários erros que não tive conhecimento em razão da ineficiência do serviço em detectá-los. Alguns erros porem tive oportunidade de presenciar tão logo o evento com o paciente ocorreu. Um deles foi na época que atuei como Trainee em uma Santa Casa do interior de Minas Gerais. Lembro-me até hoje que era uma paciente diabética e que mantinha uma acesso venoso para medicações endovenosas. E como de rotina aplicávamos 10ml de soro fisiológico 0,9% para "sorolizar" o dispositivo a fim de mantermos o acesso pérvio. E no momento da administração a paciente se queixou de ardência e dor e distraído (ou impondo o modelo hegemônico que havia aprendido e me adaptado) disse de forma incisiva: - calma que é assim mesmo, arde um pouquinho!
Achei estranho, pois normalmente os pacientes não reclamavam de ardência ou dor quando recebiam o mesmo procedimento e o repetia várias vezes durante o plantão em vários pacientes. Então, na desconfiança fui verificar a ampola que havia aspirado e percebi imediatamente o erro. A solução que havia sido preparada e administrada era uma ampola de soro fisiológico de 10% (hipertônica).
Logo comuniquei ao supervisor responsável e ao médico da paciente que era portadora de Insuficiência Renal Crônica e acabara de passar por um transplante renal e que poderia ter complicações com uma solução hipertônica aplicada em bolos. Por sorte a paciente sofreu apenas uma flebite que foi acompanhada e tratada sem maiores complicações.
Na época pouco se falava em segurança do paciente, mas fazendo uma breve reflexão do evento hoje, o que poderia ter me induzido ao erro foi o fato de ter disponível todas as soluções hipertônicas no posto de enfermagem sem nenhuma diferenciação de rótulo ( eram todas idênticas apenas com o escrito diferente). Não me recordo de nenhuma ação relacionada ao erro salvo apenas uma advertência verbal.
Anos mais tarde, na posição de supervisão, vivenciei uma falha grave no pronto atendimento de um hospital do interior de São Paulo. Uma paciente de 80 anos consciente, orientada, deambulando, chegou ao P.A. com queixa principal de dor no peito e uso de ATB prescrito pela UBS já no 4º dia de tratamento de Pneumonia.
Na classificação de risco a médica do consultório solicitou apenas uma Radiografia de Torax e solicitou internação da paciente, que foi andando para o quarto acompanhada da filha. Após cerca de 6 horas, já no período noturno e ainda com queixa de dor o enfermeiro resolveu "passar" um ECG que julgou 'estranho' e suspeito. Ao ser avaliada novamente, com todas as enzimas cardíacas coletadas foi encaminhada para um CAT onde foi constatado infarto multiarterial com necessidade de angioplastia. Apesar da paciente ter ficado bem ela correu um risco enorme de perder a vida.
Os fatores que certamente levaram ao erro (que poderia ter sido evitado) foi o desconhecimento ou descumprimento do protocolo de dor toracica que havia na instituição. A falta de capacitações, ou mesmo a ausência de um programa de "integração" do médicos. A médica era nova e inexperiente e não considerou um item obrigatório para dor toracica e foi certamente induzida ao erro pela Pneumonia que já estava em tratamento. Nenhuma ação foi tomada na época.
Desafios da Saúde no Brasil.
Depois de anos sem postar no blog. Agora retomo a atividade para "exercitar" a velha e boa reflexão na área da saúde e educação.
Nada mais justo e bem vindo refletirmos sobre a reportagem do link abaixo que trata sobre o discurso do Ministro da Saúde Arthur Chioro na 68º
Assembleia Mundial da Saúde ocorrida em maio de 2015 em Genebra, Suíça. Ele
defende o acesso gratuito e universal a saúde e de forma integral, equitativa e
de qualidade. Comenta ainda sobre a transição epidemiológica do nosso país e convida
os presentes a participarem da II Conferência Internacional sobre Segurança no Trânsito
que ocorrerá em Brasília no mês de novembro.
Pouco se falou na reportagem
sobre a transição epidemiológica e demográfica que nosso país está passando,
mas atrelado ao tema “Saúde Atual”, é interessante perceber como o discurso do
nosso Ministro da Saúde, Arthur Chioro está fortemente atrelado ao que vivemos hoje, quando nos remete a refletir sobre a
transição epidemiológica com a tripla carga de doenças por que passa os países
em desenvolvimento como o Brasil.
Tripla carga pois envolve ao
mesmo tempo a preocupação com as doenças infecciosas, desnutrição, obesidade e
saúde reprodutiva, bem como a respeito das Doenças Crônicas não Transmissíveis
- DCNT e as chamadas causas externas envolvendo o abuso de álcool e drogas, a
violência e acidentes de trânsito.
É exatamente o conteúdo do
discurso de nosso ministro, que conduz a frentes de trabalho prioritárias na
saúde pública de nosso país. Este cenário demonstra o grande desafio que temos
em responder a toda complexidade dos Serviços e Sistemas de Saúde, entendendo que jamais conseguiremos melhorar
nossos Serviços apenas com o pensamento linear e soluções lineares. Como por exemplo simplesmente trazer “mais
médicos” para atender a população sem que haja uma reestruturação adequada dos
serviços, financiamento justo e processos bem definidos.
Claro que é bem positivo se
pensarmos que o planejamento das ações do Ministério da Saúde está contemplando
todas estas situações e transições pelas quais nosso país está experimentando,
mas infelizmente muito trabalho deverá ser realizado para que se alcance
resultados favoráveis e responda ao que o ministro espera em seu discurso: um
sistema gratuito, universal, integral, equitativo e de qualidade.
Vale a pena conferir a reportagem e o vídeo do discurso:
2 de julho de 2013
POLÍTICA E EDUCAÇÃO: UMA QUESTÃO DE PRIORIDADES ou UMA QUESTÃO DE PODER?
“Desde que o homem é homem ele vive em
sociedade e se desenvolve pela mediação da educação.”(SAVIANI, 1997, p.1)
Em primeira análise, as manifestações iniciadas no Brasil no final de junho de 2013, parecem ser uma miscelânia de protestos. Ora clamam por melhores condições de transporte público, ora por mais segurança, ora pela qualidade na educação ora por mais acesso a saúde e menos corrupção. Movimento que já causou reação do governo, mas na prática se não houver um movimento organizado politicamente certamente não causará mudanças significativas.
O MPL- Movimento Passe Livre, que deu inicio às manifestações deu um exemplo de mobilizção social com uma nova ferramenta: a rede social. O seu foco é uma vida sem catracas, mas o fato é que há várias "catracas" na saúde, na segurança e na educação que faz com que a vida cotidiana seja mais dura e difícil.
Sequencialmente, gostaria de tratar da área da Educação. Pois enquanto sociedade democrática esta tem um papel fundamental na promoção de mudanças criativas que passam pelo processo de aprendizagem.
Quando a cidade e a
indústria predominaram sobre o campo e a agricultura, a exigência de uma
educação escolar se generaliza, pois a expressão escrita é incorporada à vida
da cidade de tal forma, que só se pode participar plenamente dela se dominamos
essa forma de linguagem.
A forma principal e
dominante de educação passa a ser a escolarizada. Embora a educação difusa e
assistemática não deixem de existir, perdem importância diante da forma
escolarizada, considerada mais desenvolvida. Neste sentido, passa a ser de
interesse público, levando o Estado a se responsabilizar pela abertura e
manutenção de escolas.
As origens da
instrução pública remontam os séculos XVI e XVII, relacionada neste momento com
a questão religiosa: Reforma Protestante. No século XVIII aparece como educação
pública estatal culminando com a Revolução Francesa, quando se difunde a
bandeira da escola pública universal, gratuita, obrigatória e leiga como
responsabilidade do Estado. O século XIX será o da educação pública nacional e
o XX da educação pública democrática.
O Brasil entra para a
História em período que se caracteriza pelo surgimento e desenvolvimento da
educação pública. Nossa primeira política educacional pode ser considerada a
dos Regimentos, de D.João III, rei de Portugal que direcionou o plano de ensino
dos jesuítas para os filhos dos indígenas e para os filhos dos colonos
portugueses. Mas predominou a Ratio Studiorum, modelo dos jesuítas que
privilegiou a formação das elites porque se centrava nas humanidades ensinadas
em colégios e seminários que foram sendo criados nos povoados principais.
A educação dos
jesuítas pode ser considerada como versão da educação pública religiosa e
permaneceu até 1759 quando foram expulsos por Pombal.
Depois vieram as
Reformas pombalinas de instrução pública. Com a Independência política em 1822,
a oportunidade, como Estado Nacional, de configurar institucionalmente o novo
país. No entanto, atravessamos o século XIX sem que a educação pública fosse
incrementada.
Com a República,
vencem as idéias laicas e o Estado decreta a separação entre Igreja e Estado e
a abolição do ensino religioso nas escolas. Mas a educação popular ainda não se
torna um problema do Estado Nacional.
SAVIANI (1997, p. 6)
afirma que só após a Revolução de 1930 o Brasil começa a enfrentar os problemas
próprios de uma sociedade burguesa moderna e dentre eles o da instrução pública
popular. Após a vitória da Revolução, é criado o Ministério da Educação e
Saúde, quando se percebe que a educação começa a ser reconhecida como uma
questão nacional.
A Constituição de
1946 abre a possibilidade da organização e instalação de um sistema nacional de
educação através da universalização da escola básica (define a educação como
direito de todos e o ensino primário como obrigatório para todos e gratuito nas
escolas públicas; determina que a União deve fixar as diretrizes e bases da
educação nacional). Em 1947, inicia-se a construção da Lei de Diretrizes e
Bases da Educação Nacional que leva 13 anos para ser aprovada como LDB 4024/61,
mas que não corresponde à expectativa de universalização da educação, pois em
seu texto já previa motivos para a isenção da obrigatoriedade escolar, como o
estado de pobreza do pai ou responsável e a insuficiência de escolas.
A política educacional
expressa na LDB 5692/71 não reverte a limitação da democratização do acesso ao
ensino fundamental e na tentativa de reverter a tendência de um segundo grau
profissionalizante só para os menos favorecidos, torna a profissionalização do
segundo grau universal e compulsória. Mas ao introduzir a terminalidade ideal
ou legal que correspondia à escolaridade completa de primeiro e segundo graus
com a duração de onze anos, distinta da terminalidade real, que correspondia à
antecipação da formação profissional para garantir algum preparo profissional
para os que não conseguissem completar o primeiro grau, acabou por perpetuar o
dualismo anterior do ensino médio (ensino secundário para os nossos filhos e
ensino profissional para os filhos dos outros), trocando o slogan para
terminalidade legal para os nossos filhos e terminalidade real para os filhos
dos outros.
Desta forma, o Estado
brasileiro, ainda, não se mostra capaz de democratizar o ensino,
distanciando-se da proposta de uma educação pública nacional e democrática,
prevista pelas sociedades modernas.
No final dos anos 80
e início dos 90, o Estado não se mostra competente para enfrentar os problemas
do sistema escolar, mas ainda faz uso da educação como recurso em seus
discursos políticos.
Entre as tendências
dos anos 90, encontramos o discurso da descentralização para responder à crise
de legitimidade do Estado e à dificuldade de gerir grandes grupos. Com isso uma
revalorização da gestão que destaca a escola como organização que inclui a
organização dos trabalhadores educativos que devem construir sua identidade e
capacitação neste local, levam o professor a assumir a escola para além da sala
de aula.
No ano de 1996, o
setor educacional é contemplado com a deliberação da Lei de Diretrizes e Bases
n. 9394/96 que depois de longa trajetória pelos meios acadêmicos e políticos,
disputada por muitos grupos, recortada e adequada aos mais diversos interesses,
é promulgada em 20 de dezembro de 1996.
Segundo DEMO (1997,
p.67), a nova lei não inova, introduz alguns componentes interessantes, alguns
atualizados, mas continua com a predominância de uma visão tradicional. Reflete
a falta de percepção do quanto as oportunidades de desenvolvimento dependem da
qualidade educativa da população.
Enquanto por parte da
elite interessa a ignorância da população para manter seu status quo, para a
outra parte este atraso não lhe dá mais lucro, pois a competitividade da
economia moderna está intimamente ligada à questão educativa, principalmente no
que se refere ao trabalhador. Um trabalhador que não sabe pensar já não é útil
para a produtividade moderna.
O mercado competitivo
precisa de energia inovadora do conhecimento, desta forma faz com que se
valorize a educação, desde que ela esteja voltada para o conhecimento
(inovação) que a lógica capitalista do mercado reconhece como necessária.
As novas formas de
comunicação como, por exemplo, a Internet revelam novas formas de circulação de
informações. Elas estabelecem uma nova fronteira entre a educação formal e a
não-formal, exigem novas metodologias de ensino e de aprendizagem, pois os
alunos, através das novas tecnologias, podem realcionar-se diretamente com o
conhecimento através da máquina, sem interagir com o professor. Fato este que
provoca mudanças no papel do sistema educativo como agente da formação profissional.
Segundo FREIRE:
o“ser humano jamais pára de educar-se. Numa
certa prática educativa não necessariamente a de escolarização, decerto
bastante recente na história, como a entendemos. Daí que se possa observar
facilmente quão violenta é a política da Cidade, como Estado, que interdita ou
limita ou minimiza o direito das gentes, restringindo-lhes a cidadania ao negar
educação para todos. Daí também, o equívoco em que tombam grupos populares,
sobretudo no Terceiro Mundo quando, no uso de seu direito, mas indo além dele,
criando suas escolas, possibilitam às vezes que o Estado deixe de cumprir seu
dever de oferecer educação de qualidade e em quantidade ao povo. Quer dizer, em
face da omissão criminosa do Estado, as comunidades populares criam suas
escolas, instalam-nas com um mínimo de material necessário, contratam suas
professoras quase sempre pouco cientificamente formadas e conseguem que o
Estado lhes repasse algumas verbas. A situação se torna cômoda para o Estado.
Criando ou não suas escolas comunitárias, os Movimentos Populares teriam de
continuar, de melhorar, de enfatizar sua luta política para pressionar o Estado
no sentido de cumprir o seu dever” FREIRE (1993, p.21).
Desta forma, podemos
concluir, assim como o autor citado no parágrafo anterior, que não há educação
sem política educativa que estabelece prioridades, metas, conteúdos, meios e se
infunde de sonhos e utopias. Conseqüentemente, a diretividade da prática
educativa que a faz ir além de si mesma e perseguir um certo fim, um sonho, uma
utopia, não permite que seja neutra. Assim, se queremos escolas e hospitais padrão-fifa, precisamos exigir isso através da maior arma democrática - do voto e do acompanhamento da administração pública através de espaços coletivos e legítimos..
Assim se não tivermos ações práticas que objetivem as mudanças que queremos, mais uma vez deixaremos nas mãos dos governantes a realização das mudanças à maneira desses e não nossa.
Fonte: Faces
positivas da LDB e ranços da LDB, de Pedro Demo
27 de outubro de 2012
Médicos erram. Podemos falar sobre isso?
Médicos erram. Enfermeiros também. Mas como dita um jargão na saúde, "médicos não erram, apenas cometem engano". O grande problema é que este engano também pode custar a vida de pessoas. A minha ou até a sua, vitimas do descaso e da falta de planejamento.
Desde 2010, temos visto com mais frequência notícias envolvendo Erros terríveis, que ceifam a vida de pessoas, vítimas de um sistema de saúde precário. Mas quem suporta a culpa é sempre a ponta do processo de de cuidado: médicos e enfermeiros. Sendo que o grande responsável é o serviço de saúde mal planejado.
Por outro lado, é impressionante como na narrativa dos fatos o tratamento dos erros médicos é tão diferenciado. Médicos erram? Sim, e muito! Mas isto não é falado e nem noticiado. É fácil evidenciarmos isso verificando o aumento de processos nos Conselhos Reginais de Medicina.
Quando a enfermagem está envolvida nos danos causados aos pacientes, as instituições tratam de demitir, dispensar, punir o "malfeitor" como se APENAS ele ou ela tivesse exclusiva responsabilidade pelo fato. E a imprena por outro lado, trata de "recortar" as falas do entrevistado, editando aquilo que lhes interessa - frases que realmente o comprometem enquanto profissional. O fantástico fez isso por várias vezes...
A mais recente foi a estagiária que injetou alimento na via da paciente. Assista a enfrevista da estagiária
Até o momento, não vi a imprensa ir atras de uma entrevista exclusiva de um médico que errou, com a mesma dedicação que fazem quando buscam um profissional da enfermagem. E do administrador do hospital também não.
Por que será que isso ocorre? Será que para a sociedade os médicos não erram? Será que estão tão seguros disso, com dados de quase 100.000 mortes anuais por erros médicos, só nos Estados Unidos?
Ficar na discussão de quem erra mais, se é a enfermagem ou a medicina, não vai contribuir para que os pacientes deixem de ser prejudicados. O fato é que medicos, enfermeiros, farmaceuticos, fisioterapeutas, etc... TODOS erram! É preciso deixarmos as amarras de lado e somarmos forças para evitar o erro!
Esta palestra do Dr. Brian Golman é excelente e ele mostra que todos os médicos erram. No entanto, segundo ele, a cultura de negação (e vergonha) em medicina faz com que os médicos nunca falem sobre esses erros nem os usem para aprender ou melhorar. Contando casos da sua longa prática clínica, ele apela a que os médicos comecem a falar sobre isso.
ASSISTAM:
Fonte do video:
http://www.ted.com/talks/lang/pt-br/brian_goldman_doctors_make_mistakes_can_we_talk_about_that.html
Desde 2010, temos visto com mais frequência notícias envolvendo Erros terríveis, que ceifam a vida de pessoas, vítimas de um sistema de saúde precário. Mas quem suporta a culpa é sempre a ponta do processo de de cuidado: médicos e enfermeiros. Sendo que o grande responsável é o serviço de saúde mal planejado.
Por outro lado, é impressionante como na narrativa dos fatos o tratamento dos erros médicos é tão diferenciado. Médicos erram? Sim, e muito! Mas isto não é falado e nem noticiado. É fácil evidenciarmos isso verificando o aumento de processos nos Conselhos Reginais de Medicina.
Quando a enfermagem está envolvida nos danos causados aos pacientes, as instituições tratam de demitir, dispensar, punir o "malfeitor" como se APENAS ele ou ela tivesse exclusiva responsabilidade pelo fato. E a imprena por outro lado, trata de "recortar" as falas do entrevistado, editando aquilo que lhes interessa - frases que realmente o comprometem enquanto profissional. O fantástico fez isso por várias vezes...
A mais recente foi a estagiária que injetou alimento na via da paciente. Assista a enfrevista da estagiária
Até o momento, não vi a imprensa ir atras de uma entrevista exclusiva de um médico que errou, com a mesma dedicação que fazem quando buscam um profissional da enfermagem. E do administrador do hospital também não.
Por que será que isso ocorre? Será que para a sociedade os médicos não erram? Será que estão tão seguros disso, com dados de quase 100.000 mortes anuais por erros médicos, só nos Estados Unidos?
Ficar na discussão de quem erra mais, se é a enfermagem ou a medicina, não vai contribuir para que os pacientes deixem de ser prejudicados. O fato é que medicos, enfermeiros, farmaceuticos, fisioterapeutas, etc... TODOS erram! É preciso deixarmos as amarras de lado e somarmos forças para evitar o erro!
Esta palestra do Dr. Brian Golman é excelente e ele mostra que todos os médicos erram. No entanto, segundo ele, a cultura de negação (e vergonha) em medicina faz com que os médicos nunca falem sobre esses erros nem os usem para aprender ou melhorar. Contando casos da sua longa prática clínica, ele apela a que os médicos comecem a falar sobre isso.
ASSISTAM:
Fonte do video:
http://www.ted.com/talks/lang/pt-br/brian_goldman_doctors_make_mistakes_can_we_talk_about_that.html
9 de dezembro de 2011
A Era da Segurança do Paciente
Aqui vai uma dica para quem é da área da saúde e principalmente aos enfermeiros. Desde do ano de 2002 a Organização Mundial da Saúde (http://www.who.int/patientsafety/es/) instituiu a era da Segurança como uma diretriz para quem atua na área da saúde, haja vista o número de pessoas que ainda hoje morrem por erros relacionados à prática dos profissionais e instituições. Em 2004 a OMS criou um programa mundial chamado "Aliança Mundial para a Segurança do Paciente" e desde então, discute-se no mundo todo medidas para se evitar mortes e/ou prejuízos que ocorrem na área da saúde!
Uma das iniciativas que surgiu no Brasil foi as Rede Brasileira de Enfermagem e Segurança do Paciente -REBRAENSP, com o objetivo de discutir medidas que previnam estas mazelas.
Se você se interessou pelo assunto e quer saber mais por que não começar se especilizando realizando um curso a distância, certificado pela Universidade de Miami - EUA, sobre Segurança do Paciente. E o melhor: de graça! Basta clicar no link acima. O curso ainda não saiu na lingua portuguesa, há apenas duas opções - curso em inglês ou espanhol - La Seguridad de los pacientes. E bons estudos!
Uma das iniciativas que surgiu no Brasil foi as Rede Brasileira de Enfermagem e Segurança do Paciente -REBRAENSP, com o objetivo de discutir medidas que previnam estas mazelas.
6 de agosto de 2011
Treinamento versus Capacitação

Muitos de nós quando fazemos uso da educação continuada não consegue deixar claro aos aprendizes a diferença de Treinamento e Capacitação. A diferênça é prática e conceitual. Enquanto o primeito diz respeito ao aperfeiçoamento de uma técnica já sabida a segunda trata de ensinar algo novo.
Como exemplo poderíamos citar um treinamento de punção venosa. Ora, enquanto profissional, já sei fazer isso! O que muitos pensam é: -o que posso não saber sobre esse procedimento? Afinal, faço isso todos os dias! Façamos uma comparação ao treinamento de um jogador de futebol: apesar de bater faltas todos os dias, treina arduamente o fundamento de "bater falta" para que alcançe a excelência e conquiste a eficiência técnica. Apesar disso, ele sabe bater falta!!!! Por que na área da saúde não temos esta rotina de treinamentos de fundamentos? Ou quando temos, não temos a aderência de todos os profissionais?
Diferente de treinar uma equipe em punção venosa, quando Capacitamos a equipe para um novo conceito ou nova técnica, a intenção é transmitir algo desconhecido ou um novo jeito de fazer.
Na prática, a participação de profissionais em Treinamentos ou em Capacitações é ínfima e difícil de ser incentivada. Por várias razões: Indisponibilidade de horário, desinteresse no tema abordado, quadro de funcionários insuficiente (que impede a sua liberação). O que fazer?
Talvez mudar o jeito de realizar o treinamento. Mudar a didática escolhida, da metodologia, dos recursos, etc. Lançar mão desde a Educação a Distância até a ferramenta "on the job".
Em uma unidade que tenha 80 funcionários da enfermagem nas 24h, por exemplo, para que possamos conseguir a aderência de pelo menos 70% deles, treinamentos no local de trabalho ou "on the job" resolvem o problema (de adesão), mas pode diminuir a eficiência do treinamento, já que as interrupções durante o treinamento no local de trabalho são inevitáveis.
Um desafio diário de todas as instituições de saúde. Treinar e capacitar seus funcionários para excelência.
13 de junho de 2011
2 de junho de 2011
13 de março de 2011
Estágio Super-Visionado!

Sandro Reis*
Bom, gostaria de comentar algo com vocês sobre um momento importantíssimo para a formação de profissionais em saúde - o estágio curricular supervisionado.
Um momento, por vezes, mal compreendido pelos alunos, frequentemente desrespeitado pelas escolas e professores e constantemente ignorado pelos profissionais e trabalhadores em saúde. Explico.
A formação de profissionais da saúde é um tanto diferente da formação de outros profissionais. Para aqueles que escolhem seguir na área de enfermagem, por exemplo, seja a nível técnico ou de graduação, são obrigados por lei a realizarem estágio curricular (como parte do curso) para poderem praticar aquilo que aprenderam em sala de aula e conquistarem seu diploma.
E é neste ponto (o estágio) que encontramos uma série de distorções.
A lei que trata da educação no Brasil - LDB 9394/96, não diz exatamente como, quando ou onde deve ser realizado este estágio, apenas refere-se ao estágio na área da saúde como obrigatório, que seja condizente com o currículo do curso e que deve ser supervisionado por profissional qualificado.
Com isso, temos uma questão bem delicada neste momento crucial para a aprendizagem. Cada escola programa à sua maneira a forma como encaminhará seus alunos para estágio. E, sem generalizações, o que vejo na maioria das vezes são escolas programarem-se da maneira mais prática para cumprir com esta exigência de lei e não da maneira mais adequada ao aluno.
E o que observamos são supervisores de estágio sem visão à prática pedagógica e alunos mal preparados atuando em campos de estágio. A queixa maior dos supervisores de estágio é que o aluno possui dúvidas naquilo que deveria ter visto e aprendido em sala de aula mas não viu, não aprendeu. E então temos dois grupos distintos de professores: os teóricos e os práticos! Que deveriam se complementar mas se contradizem a todo momento. E os alunos, entre estes dois grupos, vão a estágio para quê? Pasmem! Lidar com vidas humanas, em seu momento mais frágil - a doença, o sofrimento, a morte etc...
Quando recorremos ao dicionário Houaiss ele nos define supervisionar como o ato de "dirigir inspecionando um trabalho", uma tarefa, um procedimento. Ora, então podemos definir supervisor de estágio como aquele que conduz um aluno ao ato de realizar procedimentos e inspeciona a maneira com que são feitos. Por isso é que a quantidade de alunos em estágio é definida por lei (Lei 11.788/2008)- no máximo dez (10) para cada supervisor de estágio, dada a responsabilidade de inspecionar cada tarefa, cada procedimento realizado por seus aprendizes. Que as escolas, com 300 alunos para encaminhar para estágio desrespeitam.
E partimos da proposição que enquanto supervisor de estágio, por definição não tem o papel de ensinar, mas apenas de supervisionar! Ou tem?
O fato é que cada vez mais observamos alunos que não aprenderam a simples regra de três ou a complexa diferença entre pressão sistólica e pressão diastólica sendo "jogados" em campo... de estágio! - "O quê? O que são milímetros de mercúrio? Por que pressão se afere em mmHg?"

Seria como colocar um jogador em um jogo profissional sem que lhe tenha ensinado as regras básicas do futebol. - "O que é impedimeno? O que é escanteio?"
A necessidade de um processo de aprendizagem onde a práxis é vista como o processo de colocar em prática aquilo que foi visto em teoria é fundamental neste processo de formação do profissional, principalmente na área da saúde.
Mas vários alunos, em campo de estágio, não aprenderam o básico para irem para o estágio, e ainda assim vão! Assim, frequentemente o professor-supervisor-de-estágio se vê na dificil tarefa de avaliar, supervisionar, inspecionar a execução de um procedimento que o aluno diz não ter visto em sala de aula!!!!!???
E então? Deve-se interromper neste momento todo o processo de Estágio, de Práxis e retrocedermos o aluno ao nível intelectual de uma sala de aula que trate deste assunto? Ou continuamos com o processo dando uma pequena explicação técnica e seguimos com o procedimento? Segue-se em frente...
Temos um movimento que ocorre com certa frequência nos grandes centros: Muitas escolas, muitos alunos e poucos campos de estágio e poucos professores preparados que por sinal passaram também por este processo em que as escolas se degladiam pela própria competição mercantil e também para conseguirem campos de estágio - cada vez mais restritos. Afinal é lei!
Ainda assim, há neste processo os professores-supervisores que se furtam da responsabilidade de formação responsável assumindo os estágios apenas como uma necessidade de renda extra. E na ponta deste processo estão os alunos e pacientes sendo concomitantemente vítimas e produtos deste processo de (de)formação profissional.
O Conselho Federal de Enfermagem - Cofen através da resolução - COFEN Nº 299/2005 - em seu artigo 5º diz que o aluno deve estar apto para ser encaminhado ao campo de estágio supervionado e somente pode ser encaminhado ao campo de estágio após passar pela fundamentação básica de enfermagem. A mesma resolução em seu artigo 7º ainda redefine a quantidade de alunos que devem ser encaminhados ao campo de estágio conforme o nível de assistência ao paciente - mínima/intermediária/semi-intensiva e intensiva.
Na prática, neste momento crucial para a formação profissional - o estágio - é cada vez mais frequente e evidente o despreparo destes alunos, das escolas, dos professores e também das instituições cedentes dos campos de estágio.
E o que vimos e ouvimos na mídia são profissionais de enfermagem instalando conectores de oxigênio em acessos venosos, que infundem vaselinas liquidas e dietas enterais em vias endovenosas, etc. causando enormes prejuízos às vidas que deveriam cuidar.
Tentando minimizar estes efeitos na formação profissional em enfermagem o Coren SP lança uma campanha de Exercício Profissional Tutelado. Ficamos na torcida para dar certo... mas devemos aceitar que a responsabilidade é de todos nós!
* Especialista em Gestão de Sistemas de Saúde pela FCM/Unicamp. E especialista em Educação Profissional em Saúde.
27 de fevereiro de 2011
20 de fevereiro de 2011
O burro e o Cachorrinho
Um homem tinha um burro e um cachorrinho. O cachorro era muito bem cuidado por seu dono, que brincava com ele, deixava que dormisse no seu colo e sempre que saía para um jantar voltava trazendo alguma coisa boa para ele. O burro também era muito bem cuidado por seu dono. Tinha um estábulo confortável, ganhava muito feno e muita aveia, mas em compensação tinha que trabalhar no moinho moendo trigo e carregar cargas pesadas do campo para o paiol. Sempre pensava na vida boa do cachorrinho, que só se divertia e não era obrigado a fazer nada, o burro se chateava com a trabalheira que ficava por conta dele.
"Quem sabe se eu fizer tudo o que o cachorro faz nosso dono me trata do mesmo jeito?", pensou ele.
Pensou e fez. Um belo dia soltou-se do estábulo e entrou na casa do dono saltitando como tinha visto o cachorro fazer. Só que, como era um animal grande e atrapalhado, acabou derrubando a mesa e quebrando a louça toda. Quando tentou pular para o colo do dono, os empregados acharam que ele estava querendo matar o patrão e começaram a bater nele com varas até ele fugir da casa correndo. Mais tarde, todo dolorido em seu estábulo, o burro pensava: "Pronto, me dei mal. Mas bem que eu merecia. Por que não fiquei contente com o que eu sou em vez de tentar copiar as palhaçadas daquele cachorrinho?"
Qual a Moral da história? De nada adianta nos compararmos sem necessidade. Tentar ser o que não somos é burrice. Isso ocorre muito no ambiente de trabalho nos comparando com os colegas de mesmo cargo que o nosso e colegas de outros setores e cargos! A comparação é sempre um passo errado que damos no nosso dia a dia! O melhor a fazer e nos compararmos sempre a nós mesmos! Como num nadador profissional que sempre se supera para estar cada vez mais rápido!
Fonte: http://www.metaforas.com.br/
2 de fevereiro de 2011
30 de janeiro de 2011
Mary Seacole - a 1ª enfermeira Negra

A história é supreendente!
Nâo é de se assustar que em países racistas como os Estados Unidos ou Inglaterra consigam aviltar uma personagem da história humana como foi a Sra. Mary Seacole, considerada a Florence Nightgale negra. Mas no Brasil, um país multicultural, multicolorido é supreendente não sabermos nada a respeio deste pedaço da história da profissão da enfermagem.
Por isso trago um pouquinho de Mary Jane Seacole (1805 – 14 May 1881) conhecida como Madre Seacole ou Mary Grant em seu país - Jamaica.
Seacole foi uma enfermeira jamaicana conhecida por seu envolvimento com a gerra da Criméia, palco de atuação da também enfermeira, Florence Nightingale, de Florença - Inglaterra, precursora da enfermagem moderna que conhecemos hoje.
O fato é que todos que atuam em saúde e principalmente na profissão de enfermagem aprendem sobre sua história como enfermeira da Lâmpada e das estatísticas, seus méritos de melhora no atendimentos aos feridos da guerra etc. Mas ninguém sabe ou ninguém aprende sobre Mary Seacole, enfermeira também de sua importância para a época e que também atuou junto aos feridos da guerra.
Foi mais ou menos assim: A gerra da criméia acontecia, E Seacole foi para Londres se candidatar a enfermeira voluntária, mas não foi aceita. Logo em seguida o governo britanico autorizou a ida de Florence com suas 28 enfermeiras. Seacole sabendo disso, pegou dinheiro emprestado e foi por conta própria para a guerra.
Mas a grande questão que podemos levantar aqui é: por que uma enfermeira negra, com conhecimentos de ervas medicinais e grande bravura, foi esquecida por mais de 1 século por todos ? Por que foi recusada como voluntária para ajudar aos feridos na Gerra?
Questões que podemos tentar responder ... para que repensemos nossas práticas de hoje.
Michele Obama, recentemente, mencionou Seacole em uma palestra na Inglaterra que fez a jovens estudantes.
Para saber mais:
http://www.youtube.com/watch?v=_w5kf3UTzHs
http://en.wikipedia.org/wiki/Mary_Seacole
Ver http://www.ted.com/talks/lang/eng/bill_gates_unplugged.html
3 de novembro de 2010
Poema: O banho traumatizado
Antes no meu banho
era eu quem tinha a bucha e o sabão
Agora seguram a minha mão
me viram de um lado para o outro sem coordenação,
Perdi a vergonha as roupas, mas não a educação
As vezes perco a calma e a paciência
mas nunca a minha essência
Levo no rosto o medo e a indiferença
Pois a dor sempre está na mimha presença,
Levo comigo uma lembrança
pois me lembro que no tempo de criança
quando minha mãe apalpava minha poupança
passava talquinho e me dava um cheirinho
Mas está ótimo, pior seria se meu banho fosse no IML
seria o último e não sentiria nada
Estou feliz com dor, e o mais importante vivo
Graças a Deus.
02/11/2010
Fabio Alejandro Gerard
Fratura bilateral de femur e lesão de plexo braquial D
Fratura bilateral de femur e lesão de plexo braquial D
31 de julho de 2010
Construindo Relacionamento Profissional

Quando penso em sete coisas de uma vez, tento guardar todas elas na mente e, ao mesmo tempo, escutar o que você me diz, mas não consigo porque acabei de me lembrar de mais três coisas que preciso fazer quando você sair, o que, a propósito, espero que seja logo.
Enquanto você fala comigo, olho umas duas vezes no relógio, porque mentalmente estou na corrida, e eu sou um corredor de primeira, fazendo um milhão de coisas, mas o que não consigo perceber é que meu frágil relacionamento com você está sendo destruído por causa desse meu jeito. Está sendo destruído aos poucos, pois a principal mensagem que envio a você e a todos os outros membros da minha equipe é que estou muito estressado e que isso aqui é uma loucura.
Até para minha família eu digo: “Isso é uma loucura. Eu quero passar mais tempo com vocês, mas está tudo muito louco agora. É uma loucura lá no trabalho”.
Bem, não é uma loucura. Você é que está louco. Você precisa ser honesto quanto a isso. Não é uma loucura, é apenas trabalho. É só uma empresa.
Gerentes do tipo “isso-aqui-é-uma-loucura” vivem jogando as mãos para o ar dizendo: “O quê? Ela vai embora? Por quê? Está pedindo demissão? Não se pode mais confiar nas pessoas hoje em dia! Chame-a aqui. Precisamos conversar sobre isso. Cancele minhas reuniões, cancele meus telefonemas. Quero saber por que ela está se demitindo”.
Ela está pedindo demissão por este motivo: você falou com ela por no máximo três minutos em qualquer conversa no último ano. Talvez tenha falado com ela 365 dias, mas por não mais de três minutos. Não houve um relacionamento profissional, houve só um palavrório inútil.

Quer o gerente goste, quer não, criar bons relacionamentos permite o desenvolvimento de carreiras, de negócios e de equipes de trabalho.
De modo geral, as pessoas que admiram ou respeitam (de maneira um pouco assustada) seus gerentes multitarefa admitem que se sentem menos seguras por causa de toda essa “loucura”.
Quando se reúnem com o gerente, ele sempre lhes diz: “Vamos lá, vamos ver isso! Você precisa falar comigo, não é? Entre aí, preciso só atender este telefonema. Isso aqui é uma loucura. Tenho uma reunião daqui a dois minutos e estou esperando um e-mail... desculpe-me viu, se eu desviar a atenção por causa disso, mas fique aí estou terminando. Eu sei que você quer me dizer alguma coisa. Por favor, fale comigo.... ah, só um minuto, com licença”.
Quando conseguimos fazer com que os gerentes desacelerem e se concentrem em cada conversa do dia, eles se surpreendem. Quando conseguem fazer isso por uma semana, eles nos ligam e dizem: “Por incrível que pareça, houve melhor entendimento com meu pessoal esta semana do que em todas as semanas que já passei nesta empresa”.
Para eles é algo inacreditável, pois, quando desaceleram e observam a próxima tarefa urgente, percebem que há sempre alguém que adoraria se encarregar dessa tarefa. Não só isso, mas há sempre alguém que se sentiria lisonjeado por executar tal tarefa. “As pessoas gostam de sentir que deposito toda confiança nelas, quando lhes peço que se encarreguem disso e que façam um bom trabalho, porque gosto do modo como trabalham.”
Há muitas coisas que podem ser delegadas e passadas aos outros, mas apenas se você recuperar sua sanidade e desacelerar. Uma das melhores maneiras de motivar os outros é lhes dar coisas interessantes para fazer, desenvolver. Principalmente atividades que liberem mais tempo para você – tempo que você pode usar para construir uma equipe melhor e mais motivada.
Fonte: CHANDLER, Steve 1944; tradução Marcos Malvezzi Leal, Campinas, SP 2008.
8 de maio de 2010
Monólogo das mãos

Ghiaroni (imortalizado por Procópio Ferreira).
Para que servem as mãos? As mãos servem para pedir, prometer, chamar, conceder, ameaçar, suplicar, exigir, acariciar, recusar, interrogar, admirar, confessar, calcular, comandar, injuriar, incitar, teimar, encorajar, acusar, condenar, absolver, perdoar, desprezar, desafiar, aplaudir, reger, benzer, humilhar, reconciliar, exaltar, construir, trabalhar, escrever......
As mãos de Maria Antonieta, ao receber o beijo de Mirabeau,
salvou o trono da França e apagou a auréola do famoso revolucionário;
Múcio Cévola queimou a mão que, por engano não matou Porcena;
foi com as mãos que Jesus amparou Madalena;
com as mãos David agitou a funda que matou Golias;
as mãos dos Césares romanos decidia a sorte dos gladiadores vencidos na arena;
Pilatos lavou as mãos para limpar a consciência;
os anti-semitas marcavam a porta dos judeus com as mãos vermelhas como signo de morte!
Foi com as mãos que Judas pos ao pescoço o laço que os outros Judas não encontram.
A mão serve para o herói empunhar a espada e o carrasco, a corda;
o operário construir e o burguês destruir;
o bom amparar e o justo punir;
o amante acariciar e o ladrão roubar;
o honesto trabalhar e o viciado jogar.
Com as mãos atira-se um beijo ou uma pedra, uma flor ou uma granada, uma esmola ou uma bomba!
Com as mãos o agricultor semeia e o anarquista incendeia!
As mãos fazem os salva-vidas e os canhões;
os remédios e os venenos;
os bálsamos e os instrumentos de tortura, a arma que fere e o bisturi que salva.
Com as mãos tapamos os olhos para não ver, e com elas protegemos a vista para ver melhor.
Os olhos dos cegos são as mãos. As mãos na agulheta do submarino levam o homem para o fundo como os peixes;
no volante da aeronave atiram-nos para as alturas como os pássaros.
O autor do «Homo Rebus» lembra que a mão foi o primeiro prato para o alimento e o primeiro copo para a bebida;
a primeira almofada para repousar a cabeça, a primeira arma e a primeira linguagem.
Esfregando dois ramos, conseguiram-se as chamas.
A mão aberta,acariciando, mostra a bondade;
fechada e levantada mostra a força e o poder;
empunha a espada a pena e a cruz! Modela os mármores e os bronzes;
da cor às telas e concretiza os sonhos do pensamento e da fantasia nas formas eternas da beleza.
Humilde e poderosa no trabalho, cria a riqueza;
doce e piedosa nos afetos medica as chagas, conforta os aflitos e protege os fracos.
O aperto de duas mãos pode ser a mais sincera confissão de amor, o melhor pacto de amizade ou um juramento de felicidade.
O noivo para casar-se pede a mão de sua amada;
Jesus abençoava com as mãos;
as mães protegem os filhos cobrindo-lhes com as mãos as cabeças inocentes.
Nas despedidas, a gente parte, mas a mão fica, ainda por muito tempo agitando o lenço no ar.
Com as mãos limpamos as nossas lágrimas e as lágrimas alheias.
E nos dois extremos da vida, quando abrimos os olhos para o mundo e quando os fechamos para sempre ainda as mãos prevalecem.
Quando nascemos, para nos levar a carícia do primeiro beijo, são as mãos maternas que nos seguram o corpo pequenino.
E no fim da vida, quando os olhos fecham e o coração pára, o corpo gela e os sentidos desaparecem, são as mãos, ainda brancas de cera que continuam na morte as funções da vida.
20 de abril de 2010
O Fator Artesão

Quando um artesão se dedica sempre e exclusivamente à fabricação de um único objeto, aprende a executar esse trabalho com perícia peculiar. Mas, ao mesmo tempo, perde a capacidade geral de aplicar-se à direção do trabalho; a cada dia, ele se torna mais hábil e menos industrioso, e pode-se afirmar que nele o homem se degrada, à medida que o operário se especializa. O que devemos esperar de um indivíduo que passou vinte anos de sua vida fazendo cabeças de alfinete? A que outra coisa mais sua
inteligência poderá aplicar-se, senão a procurar um modo melhor de fazer cabeças de alfinetes? O próprio corpo desse homem terá adquirido hábitos fixos que nunca mais perderá; em uma palavra, ele deixa de pertencer a si mesmo para pertencer ao ofício que escolheu. Em vão as leis e os costumes retiraram ao seu redor os obstáculos, abrindo-lhe mil caminhos diferentes para a fortuna: um sistema industrial mais forte do que as próprias leis e costumes condenou-o a uma tarefa e, frequentemente, a
um lugar do qual nunca mais sairá. Em meio ao movimento universal, ele permanece imóvel.
Com o avanço do princípio da divisão do trabalho, o operário torna-se cada vez mais fraco, mais limitado e menos independente: a arte faz progressos, mas o artesão regride. Por outro lado, à medida que descobrimos que os produtos industriais são menos caros e melhores, com a difusão da manufatura e a acumulação dos capitais, surgem homens ricos e cultos para explorar indústrias até então administradas
por artesãos canhestros ou ignorantes. Desse modo, enquanto a ciência industrial degrada continuamente a classe operária, ela eleva a dos patrões. E, à medida que o operário restringe cada vez mais sua mente ao estudo de um único detalhe, o patrão paira, todos os dias, sobre horizontes mais vastos.
Adaptado de: A. de Tocqueville, séc. XIX.
18 de abril de 2010
GERAÇÃO Y
Você é desta geração?

Por Stephanie Armour, USA TODAY
(Tradução de Mayra Saidemberg, para o Job Jump.)
Eles são jovens, espertos e ousados. Usam chinelo no escritório ou ouvem iPods em suas mesas. Eles querem trabalhar, mas não querem que o trabalho seja sua vida.
Esta é a geração Y. Uma força de milhões de pessoas que pela primeira vez estão entrando em suas profissões e tomando seu lugar no mercado de trabalho incrivelmente multigeracional.
Fiquem prontos, pois esta geração, cujos membros ainda não atingiram os 30 anos, é diferente daqueles que vieram antes deles, conforme pesquisadores e autores como Bruce Tulgan, o fundador de New Haven, CNN, baseado no Rainmaker Tinking, que estuda a vida de pessoas jovens.
Esta geração esta entrando na força de trabalho numa época marcada pela maior mudança demográfica de todos os tempos e as empresas estão com a sua força de trabalho envelhecendo. Pessoas com 60 anos de idade estão agora trabalhando ao lado de pessoas de 20 anos de idade, graduados do colégio com mente fresca estão supervisionando trabalhadores que poderiam ser seus pais.
E os novos iniciantes no trabalho estão trocando suas profissões mais rápidas do que os estudantes passam de série que estão estudando, criando frustração para os empregadores, lutando para reter e recrutar talentos de alta performance.
Diferentemente das gerações que se foram antes deles a Geração Y, tem sido cuidada, nutrida e programada com inúmeras atividades desde as fraldas. Isso significa que eles são ao mesmo tempo voltados para alta performance, e alta manutenção, diz Tugan – “Eles também acreditam no se próprio valor”.
A Geração Y responde muito menos aos tipos de comandos e controles tradicionais de gerenciamento ainda populares. É a maioria da força de trabalho de hoje, diz Jordan Kaplan, um professor associado à ciência de gerenciamento na Universidade de Lond Island, Brooklin, Nova York. Eles cresceram questionando seus pais e agora estão questionando seus empregadores. Eles não sabem se calar, o que é ótimo, mas isto é um agravante para o gerente de 50 anos quando diz, - “Não faça isto não faça aquilo”.
A filosofia speak-your-mind ou Estimule a sua mente, faz sentido para Katie Patterson, uma Executiva da Edelman Public Relations em Atlanta. Aos de 23 anos veio de Yowa e agora divide uma casa com dois colegas.Todos gostam de colaborar uns com os outros e vêem a maioria de seus amigos quererem dirigir seu próprio negocio, porque assim podem ter a sua independência.
Eles dizem: “Nos estamos desejosos e sem medo de mudar o status quo”. “Um ambiente onde a criatividade e independência de pensamento, são procuradas será atraente e positivo às pessoas de minha idade. Nós somos muito independentes e hábeis tecnicamente”.

...
É facil notar que para ser colega ou liderar estes profissionias é preciso sermos parceiros, mentores, pois o autoritarismo empregado antes dos anos 80 já não é mais eficiente. Mas não nos enganemos! Se você hoje possui entre 20 e 30 anos, como eu, você faz parte desta geração Y.
Mas a chegada da geração Y ao mundo corporativo é uma realidade muito presente na terra do tio sam, os EUA, e nem tanto aqui no Brasil. O que nos permite perguntar: temos no País realmente contingente significativo de profissionais da geração Y, da mesma maneira característica que há nos EUA? A resposta é não!
........................
Para saber mais acesse:
http://www.kairosnet.com.br/jobjump/ger_y.html
http://vocesa.abril.com.br/desenvolva-sua-carreira/videos/entenda-geracao-y-532811.shtml

Por Stephanie Armour, USA TODAY
(Tradução de Mayra Saidemberg, para o Job Jump.)
Eles são jovens, espertos e ousados. Usam chinelo no escritório ou ouvem iPods em suas mesas. Eles querem trabalhar, mas não querem que o trabalho seja sua vida.
Esta é a geração Y. Uma força de milhões de pessoas que pela primeira vez estão entrando em suas profissões e tomando seu lugar no mercado de trabalho incrivelmente multigeracional.
Fiquem prontos, pois esta geração, cujos membros ainda não atingiram os 30 anos, é diferente daqueles que vieram antes deles, conforme pesquisadores e autores como Bruce Tulgan, o fundador de New Haven, CNN, baseado no Rainmaker Tinking, que estuda a vida de pessoas jovens.
Esta geração esta entrando na força de trabalho numa época marcada pela maior mudança demográfica de todos os tempos e as empresas estão com a sua força de trabalho envelhecendo. Pessoas com 60 anos de idade estão agora trabalhando ao lado de pessoas de 20 anos de idade, graduados do colégio com mente fresca estão supervisionando trabalhadores que poderiam ser seus pais.
E os novos iniciantes no trabalho estão trocando suas profissões mais rápidas do que os estudantes passam de série que estão estudando, criando frustração para os empregadores, lutando para reter e recrutar talentos de alta performance.
Diferentemente das gerações que se foram antes deles a Geração Y, tem sido cuidada, nutrida e programada com inúmeras atividades desde as fraldas. Isso significa que eles são ao mesmo tempo voltados para alta performance, e alta manutenção, diz Tugan – “Eles também acreditam no se próprio valor”.
A Geração Y responde muito menos aos tipos de comandos e controles tradicionais de gerenciamento ainda populares. É a maioria da força de trabalho de hoje, diz Jordan Kaplan, um professor associado à ciência de gerenciamento na Universidade de Lond Island, Brooklin, Nova York. Eles cresceram questionando seus pais e agora estão questionando seus empregadores. Eles não sabem se calar, o que é ótimo, mas isto é um agravante para o gerente de 50 anos quando diz, - “Não faça isto não faça aquilo”.
A filosofia speak-your-mind ou Estimule a sua mente, faz sentido para Katie Patterson, uma Executiva da Edelman Public Relations em Atlanta. Aos de 23 anos veio de Yowa e agora divide uma casa com dois colegas.Todos gostam de colaborar uns com os outros e vêem a maioria de seus amigos quererem dirigir seu próprio negocio, porque assim podem ter a sua independência.
Eles dizem: “Nos estamos desejosos e sem medo de mudar o status quo”. “Um ambiente onde a criatividade e independência de pensamento, são procuradas será atraente e positivo às pessoas de minha idade. Nós somos muito independentes e hábeis tecnicamente”.

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É facil notar que para ser colega ou liderar estes profissionias é preciso sermos parceiros, mentores, pois o autoritarismo empregado antes dos anos 80 já não é mais eficiente. Mas não nos enganemos! Se você hoje possui entre 20 e 30 anos, como eu, você faz parte desta geração Y.
Mas a chegada da geração Y ao mundo corporativo é uma realidade muito presente na terra do tio sam, os EUA, e nem tanto aqui no Brasil. O que nos permite perguntar: temos no País realmente contingente significativo de profissionais da geração Y, da mesma maneira característica que há nos EUA? A resposta é não!
........................
Para saber mais acesse:
http://www.kairosnet.com.br/jobjump/ger_y.html
http://vocesa.abril.com.br/desenvolva-sua-carreira/videos/entenda-geracao-y-532811.shtml
11 de abril de 2010
Novo Código de Ética Médica

Nesta próxima semana, entra em vigor um novo código de ética médica que foi discutido e debatido entre o conselho de medicina por mais de 2 anos em audiências públicas. É bom que saibamos as principais mudanças.
O Código de Ética passa a valer oficialmente no dia 13/4 e traz 14 capítulos e 118 artigos que tratam dos direitos dos pacientes e dos médicos, da responsabilidade profissional, relação com pacientes e familiares, doação e transplante de órgãos, relação entre médicos, sigilo profissional, prontuários, pesquisa e publicidade médica. O novo documento substitui o Código anterior, que estava em vigor desde 1988.
O novo Código de Ética Médica, além de levar em conta o progresso científico e a evolução da medicina, se posiciona sobre grandes temas éticos da atualidade que envolvem os transplantes de órgãos, os ensaios clínicos, os pacientes terminais, a reprodução assistida e a manipulação genética.
A seguir, os principais destaques do novo Código
Pacientes Terminais
O médico deve evitar procedimentos desnecessários em pacientes terminais
(Cap. 5, Art. 41) Parágrafo único; (Cap. 1, XXII)
Sexagem
A escolha do sexo do bebê é vedada na reprodução assistida (Cap. 3, Art. 15)
Letra Legível
A receita e o atestado médico têm que ser legíveis e com identificação (Cap. 3, Art. 11)
Segunda Opinião
O paciente tem direito a uma segunda opinião e a ser encaminhado a outro médico
(Cap.5, Art. 39); (Cap. 7, Art. 52); (Cap. 7, Art.53)
Prontuário Médico
O paciente tem direito a cópia do prontuário médico (Cap. 10, Art. 85); (Cap. 10, Art. 87); (Cap. 10, Art. 89); (Cap. 10. Art. 90)
Participação em Propaganda
O médico não pode participar de propaganda (Cap. 13, Art. 116)
Sigilo Médico
O sigilo médico deve ser preservado, mesmo após a morte (Cap. 1, XI); (Cap.9, Art. 73.)
Abandono de Paciente
O médico não pode abandonar o paciente (Cap. 5, art. 36)
Anúncios Profissionais
É obrigatório incluir o número do CRM em anúncios (Cap.12, Art. 118)
Apoio à Categoria
O médico deve apoiar os movimentos da categoria (Cap. 1, XV)
Condições de Trabalho
O médico pode recusar de exercer a medicina em locais inadequados (Cap.2, IV)
Conflito de Interesses
O médico é obrigado a declarar conflitos de interesses (Cap. 12. Art. 109)
Consentimento Esclarecido
O paciente precisa dar o consentimento (Cap. 4, Art. 22)
Denúncia de Tortura
O médico é obrigado a denunciar prática de tortura ( Cap. 4, Art. 25.)
Descontos e Consórcios
O médico não pode estar vinculado a cartões de desconto e consórcios (Cap.8, Art. 72)
Direito de Escolha
O médico deve aceitar as escolhas dos pacientes (Cap. 1, XXI)
Falta em Plantão
Abandonar o plantão é falta grave (Cap. 3, Art. 9º)
Limitação de Tratamento
Nada pode limitar o médico em definir o tratamento (Cap. 1, XVI)
Manipulação Genética
O médico não pode praticar a manipulação genética (Cap. 3, Art. 16); (Cap.1, XXV)
Métodos Contraceptivos
O paciente tem direito de decidir sobre métodos contraceptivos (Cap. 5, Art. 42)
Receita sem Exame
O médico não pode receitar sem ver o paciente (Cap. 5, Art. 37)
Relações com Farmácias
O médico não pode ter relação com comércio e farmácia (Cap. 8, Art. 69)
Responsabilidade
A responsabilidade médica é pessoal e não pode ser presumida (Cap. Art. 1º)
Uso de Placebo
É proibido usar placebo em pesquisa, quando há tratamento eficaz (Cap.12 Art. 106)
Fonte:
Site G1. www.g1.globo.com e
Site Viva o Centro. www.vivaocentro.org.br
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